Faltava-lhe uma cadeira para ser doutor, uma mísera cadeira para ser médico. Ainda assim abriu um consultório de patologia onde dava consultas de pé e atirava pão duro aos patos.
Tudo o que queria era um paracetamol para as dores de cabeça, mas as dislexias de quem anda cansado pedem outras coisas ao farmacêutico: - Boa tarde. Tem passaretamol? - Passareta mole? Tenho em casa, mas é para mim.
Continuando na ordem das designações dúbias. Durante um certo período da minha infância tive a falsa ideia de que Lisboa era a cidade mais limpa e polida do mundo. Terá sido na sequência de uma frase que um polícia me dirigiu, com sotaque do interior norte, oh jovem, não se pontapeia o equipamento urbano.
Um produto no supermercado, com a volátil designação de Creme Vegetal para Barrar, deixa-me na dúvida se o devo comer com tostas ou espalhá-lo na cara depois de me barbear. Não fosse a sua localização geográfica, estrategicamente colocado entre manteigas, queijos e outras coisas cremosas que se comem, não saberia mesmo como utilizá-lo. Concluindo então que se trata de um produto alimentar, restou-me decidir que nunca comerei nada com tal nome.
As renas comem o Pai Natal, cozido, com couve portuguesa e batatas. O peru anda perdido na Lapónia, disfarçado de pinguim. O bacalhau está internado, numa clínica veterinária.
A 14 de Dezembro de 1503 nasceu Nostradamus. Agora, 505 anos depois, ainda nos lembramos dele por causa do rol de disparates que escreveu.
A 14 de Dezembro de 1972 nasceu um filho da minha mãe que aqui escreve um rol de disparates diferentes dos de Nostradamus. Ainda assim podemos classificá-los como disparates. Em 2513 ninguém se lembrará dele.
Dirigindo-se para mim, o puto da loja fazia valer todo o seu paleio comercial para me vender a mala.
Veja, o material é muito bom. É feita de...
Assim que vi as reticências a saírem-lhe da boca a meio da frase, apenas tive tempo de perceber que seria bom não ouvir o que estava para vir.
...é feita de kispo
Há momentos da erudição alheia que exigem de mim um esforço suplementar para manter a postura. Com a mão esquerda ajeitei a barba por fazer há dois mil e quatrocentos anos, rodei depressa sobre as sandálias fazendo esvoaçar a túnica em círculo e de frente para a assembleia inquiri:
Ó Platão, já viste este fedelho a chamar kispo a um polímero termoplástico? Como é que explicas isto?
Para reforçar a ideia do post anterior convém esclarecer: Too leite my friend, não é a mesma coisa que, Demasiado milk meu amigo. Arrotemos uma vez mais porque a lactose não é para aqui chamada.
(Acreditem que isto começa a fazer muito sentido para mim. Na pior das hipóteses acabo a explicar isto a alguém no Miguel Bombarda)
Estas calças da moda, que prolongam o rabo num saco flácido até o meio das pernas á laia de grande reservatório de cocó, deixam os putos suburbanos a andar como os pinguins. Sempre achei que as tendências da moda deveriam procurar a simplificação. É obvio que não percebo nada de moda.
Campo de Ourique cheira a castanhas, dizia eu quando era miúdo. Já em idade adulta, descobri que esse perfume não era mais do que o resultado da azáfama do crematório do cemitério inglês.
Moro relativamente perto do cemitério do Alto de São João. Hoje quando saí de casa cheirava a Campo de Ourique.